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mar 19

Descomplica: um evento para scale-ups

Descomplica: um evento para scale-ups

No dia 19 de março, nos reunimos no TECNOPUC com parceiros das áreas de contabilidade, questões jurídicas, branding e captação de recursos para o Descomplica para Scale-ups. O evento, focado em facilitar negócios e promover o crescimento de pequenas e médias empresas, contou com sete palestras destinadas a empreendedores, profissionais de gerência e especialistas em tecnologia.

Pela manhã, os presentes puderam ouvir o nosso CEO, Osmar A. M. Pedrozo; Layon Lopes, founder da Silva Lopes Advogados; e Tiago Denardin, Diretor de Estratégia da GH Branding. Já a tarde, foi a vez de Guilherme Kudiess, sócio da WINNOVA Startups Development; de Cristiano Freitas, CEO da Syhus Contabilidade; de Ângelo Mori Machado, diretor e criador da Comece com o Pé Direito; e de Juliano Murlick, co-founder e CEO da Triider.

Veja abaixo um pouco do que foi compartilhado em cada uma dessas palestras:

Dicas para evitar furadas tecnológicas no desenvolvimento de produtos digitais

Para abrir o evento, Osmar A. M. Pedrozo explicou a diferença entre firma e organização, de acordo com os conceitos do economista austríaco Joseph Shumpeter: a primeira diz respeito ao produto ou serviço comercializado, é a transformação do conhecimento em negócio; e a segunda é a capacidade de gestão, operação e transação da empresa. O CEO lembrou que é preciso haver equilíbrio de esforços nas duas frentes para a consolidação de empresas e salientou que os palestrantes do Descomplica estavam ali para fornecer importantes informações em direção a tal objetivo.

Osmar seguiu sua fala e explorou diversas dicas para um bom desenvolvimento de produtos digitais, como: definir os requisitos funcionais pensando em escalabilidade, continuidade e segurança a fim de escolher a tecnologia adequada à solução; estudar as jornadas dos usuários com foco em proporcionar melhores experiências de navegação e uma efetiva aplicação do UX Design; e analisar os dados originários de ferramentas de trackings para planejar estratégias e tomar decisões, entre outros.

Osmar_Descomplica

Os desafios jurídicos de uma scale-up. Como escalar sem escalar os passivos?

Layon Lopes veio em seguida e abordou as diversas implicações jurídicas das novas empresas, salientando as diferenças entre Contratos Sociais, Acordos de Sócios, Stock Options e Cap Table definidos nos arranjos societários. O founder da Silva Lopes Advogados também falou sobre a necessidade de encarar com seriedade a questão tributária no Brasil, visto que problemas grandes (e caros) podem surgir caso erros sejam cometidos nessa área. Segundo Lopes, o imposto que incide sobre empresas de tecnologia é, normalmente, o ISS, relacionado a serviços, que é relativamente mais simples do que o ICMS, de produtos. Basta definir o modelo de negócio empresarial ? e-commerce, web design, suporte e manutenção, etc. ? para aplicar o tributo adequado da forma correta.

Layon_Descomplica

Como a marca te ajuda a crescer

A jornada do crescimento através da marca foi explorada por Tiago Denardin na terceira palestra do dia. O diretor de estratégia da GH Branding comentou que é doloroso crescer, deixando a startup para trás para tornar-se uma scale-up, mas que esse momento é ideal para repensar a empresa. Refletir sobre a mudança em si, sobre qual a persona da organização e qual o posicionamento da mesma em relação ao mercado é importante. Da mesma forma, traçar objetivos claros e mensurar os resultados, para avaliar o desempenho, contribui para o amadurecimento e sucesso do negócio. De acordo com Denardin, uma empresa não é somente uma marca, o que aparece para o mercado; mas também todo o trabalho estratégico que está por trás disso.

Tiago_Descomplica

Captação de recursos: preciso de dinheiro para escalar o meu negócio, e agora?

Após a pausa para o almoço, Guilherme Kudiess falou aos presentes sobre captação de recursos para scale-ups que, por serem maiores do que startups e já possuírem Product Market Fit, normalmente necessitam de investimentos do tipo SEED, que varia de R$500 mil a R$10 milhões. O sócio da WINNOVA lembrou que investidores que colaboram com maiores valores solicitam maiores porcentagens do negócio, mas que o acordo vale a pena para alavancar o crescimento da empresa. Segundo Kudiess, 90% das startups morrem nos primeiros 10 anos e 25% dessas terminam no primeiro ano de vida, por razões que variam entre construir produtos ou serviços que o mercado não precisa, falta de dinheiro ou conflito entre sócios. Se a startup já cresceu e tornou-se uma scale-up, é importante continuar buscando recursos.

Guilherme_Descomplica

A influência do ambiente regulatório e tributário brasileiro na construção de novos negócios

Para expor alguns aspectos importantes de regulação e tributação de empresas no Brasil, Cristiano Freitas utilizou o exemplo da empresa iFood. Visto que sua atividade é intermediadora, o tipo de serviço que ela oferece não constitui ligação com o cliente final. Seu lucro vem da relação com os restaurantes que são parte do catálogo, e sob tal atividade incide um tipo de tributação. Entretanto, quando o iFood disponibiliza ao usuário final a oportunidade de parcelar uma compra, cria-se uma relação entre a empresa e uma pessoa física, e sob essa atividade incide outro tipo de tributação. O SEO da Syhus Contabilidade destacou que é para avaliar tais questões que novos empreendedores devem criar o hábito de realizar check points contábeis e tributários, pois tal atitude é extremamente importante em uma mentalidade de crescimento e escala, e pode evitar futuros contratempos.

Cristiano_Descomplica

Os desafios financeiros, fiscais e operacionais durante a evolução do negócio

Na penúltima palestra do dia, Ângelo Mori Machado explorou as cinco fases de um negócio, que são: criatividade e iniciativa, liderança e controle, delegação e descentralização, coordenação e compliance e colaboração em um ambiente empreendedor. A primeira delas corresponde ao lançamento do Mínimo Produto Viável (MVP) e aos testes de viabilidade; a segunda ao início da estabilidade e delegação de responsabilidades; a terceira chega com a autonomia do time e na presença de ‘membros chave'; na quarta aparecem as questões burocráticas e de conformidade que, na última e quinta fase, são simplificadas e auxiliam na eficiência das equipes. O diretor da Comece com o Pé Direito salientou que em todas elas o apoio contábil é essencial para mapear e manualizar os processos, planejar orçamentos, controlar fluxos de caixa, planejar simulações fiscais, pensar compliance e tomar decisões com apoio de cenários – Business Inteligence (BI).

Angelo_Descomplica

Case âncora, de Juliano Murlick

Depois de um coffee break regado à networking, Juliano Murlick assumiu o microfone para contar como foi a criação e o desenvolvimento da Triider, plataforma que conecta pessoas a profissionais de serviços gerais, como encanadores, eletricistas, montadores de móveis, etc. A empresa, que tem três anos de duração e conta hoje com treze colaboradores, recebeu investimento inicial para alavancar seu crescimento e passou pelas diversas dores e conquistas da transformação de startup para scale-up e, posteriormente, para empresa consolidada. Para o CEO da Triider, o atual sucesso do empreendimento esteve relacionado a diversos fatores, entre eles: criar uma solução para um problema real, ter clareza desse problema; analisar se a persona está disposta a pagar para resolver esse problema; e entender qual o ciclo de venda do serviço ofertado, a frequência de utilização.

Juliano_Descomplica

A edição porto-alegrense do Descomplica Para Scale-ups foi a primeira de uma série que acontecerá, ao longo dos próximos meses, em diversos estados do país. A próxima cidade a receber o evento será São Paulo e, em breve, divulgaremos por aqui a respectiva data e local.

Micaela L. Rossetti
Micaela L. Rossetti

Coordenadora de Marketing da SoftDesign, é formada em Jornalismo (UCS) e mestre em Comunicação Social (PUCRS). Especialista em comunicação e marketing digital, é aluna do MBA em Gestão de Projetos da PUCRS.

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