PT | EN

Cloud Native: o que é, como funciona e por que líderes de tecnologia estão adotando

Por 11/02/2026 11/02/2026 10 minutos

Cloud Native é uma abordagem de desenvolvimento de software que utiliza a computação em nuvem como base estratégica, adotando microsserviços, containers, automação e escalabilidade dinâmica desde a concepção das aplicações.

Esse movimento já é uma realidade consolidada no mercado. Segundo o relatório State of Cloud Native Development Q1 2025, da SlashData em parceria com a Continuous Delivery Foundation, 49% dos desenvolvedores backend no mundo já atuam com práticas Cloud Native — um crescimento significativo impulsionado pela expansão da economia digital e do software.

Para as empresas, essa adoção se traduz em ciclos de entrega mais rápidos, maior eficiência operacional e vantagem competitiva sustentável. Pensando nisso, neste artigo, exploramos o que é Cloud Native, seus fundamentos técnicos, aplicações práticas e por qual razão essa abordagem é decisiva para líderes focados em resultados de negócio.

O que é Cloud Native?

Cloud Native é uma abordagem de desenvolvimento e operação de software que permite criar, executar e evoluir aplicações de forma escalável, resiliente e automatizada em ambientes de nuvem.

De acordo com a definição da Cloud Native Computing Foundation (CNCF), trata-se de um modelo que capacita organizações a construir sistemas modernos capazes de responder rapidamente às mudanças de mercado, mantendo alta confiabilidade e ciclos contínuos de melhoria.

Logo, Cloud Native representa um conjunto de princípios arquiteturais, operacionais e culturais, incluindo aplicações desacopladas, infraestrutura tratada como código, automação em todo o ciclo de vida e times orientados a produto.

Nesse sentido, Cloud Native não se resume a migrar sistemas para a nuvem, tampouco é sinônimo de usar containers ou microsserviços de forma isolada. Sem mudanças em arquitetura, processos e cultura organizacional, a empresa continua operando de forma tradicional — apenas em outro ambiente.

Cloud Native vs Cloud Computing: entendendo a diferença

Embora os termos sejam frequentemente usados como sinônimos, Cloud Computing e Cloud Native atendem a necessidades distintas. Cloud Computing é um modelo de consumo: a empresa utiliza infraestrutura, plataformas ou software sob demanda, pagando conforme o uso.

Por outro lado, o Cloud Native é um modelo de arquitetura e desenvolvimento, que define como as aplicações devem ser construídas para extrair o máximo valor da nuvem.

DimensãoCloud ComputingCloud Native
ConceitoUso de recursos em nuvemArquitetura projetada para nuvem
InfraestruturaIaaS / PaaS sob demandaIaC + Containers + Kubernetes
EscalabilidadeConfigurávelAutomática e elástica por design
ResiliênciaBaseada na infraestruturaEmbutida na aplicação

Quais são os quatro pilares do Cloud Native?

Os quatro pilares do Cloud Native formam um framework conceitual que orienta como arquiteturas modernas devem ser desenhadas e operadas para gerar escala, velocidade e resiliência de forma sustentável.

Pilar 1: Containers

Containers viabilizam a padronização operacional entre ambientes e times, reduzindo fricções no ciclo de entrega.

Do ponto de vista estratégico, eles permitem previsibilidade, automação e portabilidade, criando a base para escalar produtos digitais sem crescimento proporcional da complexidade operacional.

Pilar 2: Microsserviços

Microsserviços promovem desacoplamento e autonomia, alinhando arquitetura à estrutura organizacional.

Esse modelo permite que equipes evoluam partes do produto de forma independente, acelerando inovação, reduzindo riscos em mudanças e sustentando crescimento contínuo do negócio.

Pilar 3: DevOps

DevOps estabelece um modelo operacional baseado em colaboração, automação e responsabilidade compartilhada entre desenvolvimento e operações.

Mais do que uma prática técnica, ele alinha tecnologia ao negócio, reduzindo o tempo entre ideia e entrega, aumentando a confiabilidade das releases e sustentando ciclos contínuos de melhoria.

Pilar 4: Continuous Delivery

O CI/CD automatizado transforma o processo de desenvolvimento e entrega de software em um fluxo contínuo, previsível e orientado por qualidade.

Por meio de pipelines automatizados, é possível integrar código, executar testes, validar requisitos e realizar deploys de forma rápida, segura e padronizada.

Esse pilar sustenta práticas como Integração Contínua (CI) e Entrega/Implantação Contínua (CD), viabilizando ciclos curtos de feedback, redução de erros humanos e maior confiabilidade nas releases.

O que é Infraestrutura como Código (IaC)?

Infraestrutura como Código (IaC) é a prática de definir, provisionar e gerenciar infraestrutura por meio de código, de forma automatizada, versionável e auditável.

Seus principais benefícios incluem, por exemplo, repetibilidade, controle e redução de inconsistências entre ambientes, diminuindo riscos operacionais.

Como pilar de arquiteturas Cloud Native, a IaC se integra diretamente à cultura DevOps e aos pipelines de CI/CD, permitindo mudanças seguras, previsíveis e rastreáveis, acelerando a entrega de valor ao negócio.

Kubernetes, Docker e o ecossistema Cloud Native

No ecossistema Cloud Native, Docker e Kubernetes ocupam papéis complementares e estratégicos.

O Docker fornece padronização e empacotamento de aplicações em containers, garantindo consistência entre ambientes e simplificando o ciclo de desenvolvimento, testes e integração contínua.

Já o Kubernetes, frequentemente chamado de “sistema operacional da nuvem”, é responsável por orquestrar containers em ambientes distribuídos, automatizando deploys, escalabilidade, balanceamento de carga e recuperação de falhas.

Juntos, Docker e Kubernetes formam a base técnica que conecta arquitetura moderna a resultados concretos de negócio.

Escalabilidade e elasticidade: do conceito ao impacto no negócio

Em ambientes Cloud Native, escalabilidade vai além de suportar mais usuários ou transações. Ela representa a capacidade de crescer de forma previsível, sustentável e alinhada à estratégia organizacional.

Arquiteturas desacopladas permitem que componentes específicos sejam escalados conforme a demanda, enquanto times autônomos evoluem produtos em paralelo, eliminando gargalos estruturais.

Já a elasticidade está diretamente ligada à eficiência operacional e financeira. Em vez de provisionar recursos para picos raros, aplicações Cloud Native ajustam capacidade automaticamente de acordo com o uso real, reduzindo desperdícios e custos ociosos.

Do ponto de vista executivo, a combinação de escalabilidade e elasticidade transforma a TI em um ativo estratégico, permitindo resposta rápida ao mercado sem perder controle financeiro ou governança.

Cloud Native Security: segurança desde o design

Cloud Native Security parte do princípio de security by design, onde a segurança é incorporada desde a arquitetura e ao longo de todo o ciclo de vida das aplicações.

Em ambientes distribuídos, grandes organizações consideram esse modelo essencial devido a desafios como:

  • Superfície de ataque ampliada por múltiplos serviços e integrações;
  • Ambientes dinâmicos, com mudanças frequentes e automação contínua;
  • Necessidade de controles consistentes em escala.

Ou seja, ao integrar segurança a processos, arquitetura e automação, empresas reduzem riscos, aumentam confiabilidade e mantêm conformidade regulatória sem comprometer velocidade e inovação.

Cloud Provider: papel estratégico no Cloud Native

Um cloud provider é a empresa responsável por oferecer infraestrutura, plataformas e serviços de nuvem sob demanda, viabilizando a execução de aplicações Cloud Native.

A escolha do cloud provider influencia diretamente arquitetura, governança segurança, custos, e estratégia de longo prazo. Serviços nativos aceleram desenvolvimento e operação, mas podem aumentar riscos de lock-in.

Decisões bem alinhadas equilibram inovação, controle, flexibilidade e sustentabilidade financeira, especialmente em ambientes corporativos complexos.

Desenvolvimento de aplicações Cloud Native

Desenvolver aplicações Cloud Native exige atender a um conjunto claro de características essenciais:

  • Escalável: cresce e reduz capacidade automaticamente conforme a demanda;
  • Resiliente: tolera falhas sem comprometer a experiência do usuário;
  • Observável: permite monitorar comportamento, performance e falhas em tempo real;
  • Automatizado: depende de automação para deploy, testes e operação.

Construir aplicações Cloud Native envolve mais que tecnologia, exige mindset organizacional. As equipes devem desenhar arquiteturas para lidar com mudanças constantes, adotando componentes desacoplados, responsabilidade clara por produto e decisões orientadas a dados.

Cloud Native como decisão estratégica para líderes de tecnologia

Atualmente, o Cloud Native ocupa um papel central na estratégia de empresas orientadas a crescimento, eficiência e inovação contínua.

Quando adotada de forma consistente, essa abordagem integra arquitetura moderna, automação e governança, criando bases sólidas para escalar produtos digitais com previsibilidade e controle.

Na SoftDesign, nossa atuação em arquitetura de software e estratégias de cloud apoia organizações na transição do discurso para a execução, alinhando decisões técnicas a objetivos de negócio, compliance e eficiência financeira.

Para avançar com clareza, o próximo passo é avaliar o nível de maturidade atual da sua organização.

Fale com nossos especialistas em Arquitetura e Cloud!

Identifique oportunidades, riscos e caminhos viáveis para uma adoção cloud sustentável.

Perguntas frequentes sobre Cloud Native

A seguir, respondemos de forma objetiva às principais dúvidas sobre Cloud Native, com foco em conceitos e decisões estratégicas.

O que exatamente é Cloud Native?

Em suma, Cloud Native é uma abordagem de desenvolvimento e operação de software projetada para aproveitar a nuvem desde o design, com foco em escalabilidade, resiliência, automação e entrega contínua de valor.

Quais são os quatro pilares do Cloud Native?

Containers, microsserviços, DevOps e CI/CD.

Por que o Kubernetes é chamado de Cloud Native?

Porque ele foi projetado para operar aplicações distribuídas em escala, automatizando deploy, resiliência e escalabilidade — capacidades centrais do modelo Cloud Native.

Qual a diferença entre Cloud Native e Cloud-based?


Cloud-based refere-se a aplicações hospedadas na nuvem, mas que podem manter arquiteturas tradicionais. Cloud Native descreve aplicações desenhadas especificamente para a nuvem, com arquiteturas desacopladas e automação nativa.

Por fim, explore outros conteúdos relacionados ao tema:

Foto do autor

Roberto Trevisan

Roberto Trevisan é DevOps/SRE Engineer na SoftDesign, com 30 anos de experiência em Tecnologia da Informação e Internet. Pós-graduado em Desenvolvimento de Software pela UFRGS, ele é especialista em tecnologias Cloud Native, como Kubernetes, CI/CD, IaC e Cloud Computing. Ao longo de sua carreira, atuou no desenvolvimento de soluções para Internet, Streaming Media e aplicativos de transmissão de conteúdo digital.

Posts relacionados

Receba conteúdos sobre inovação e tecnologia.

Deixe seu email para se inscrever em nossa newsletter.